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Etapas importantes para a limpeza correta de ralos industriais:

Características do ralo: O ralo é uma das peças que forma parte do sistema de drenagem das indústrias, é instalado no chão e está formado pelo corpo que recebe e conecta pontos de coleta de água e de esgoto e os direciona para as tubulações de esgoto. Todo ambiente que necessita de escoamento de água deve ter um ralo. O ralo possui uma grelha ou tampa que evita que partículas grandes de sujeira entrem e se acumulem na tubulação causando entupimento, por outro lado evita que insetos e certos animais consigam entrar por meio do encanamento até as áreas industriais. Os perigos dos ralos sujos: Em indústrias de processamento de alimentos os ralos são o receptor de diversos tipos de sujidades, resíduos de produto alimentar, partículas, soluções detergentes, desinfetantes etc. Devido ao fato de receber diferentes tipos de líquidos e sujidades, é considerado uma área crítica sendo uma das maiores fontes de contaminação da indústria de alimentos, já que gera as condições ambientais ideais para a proliferação de microrganismos como Listeria spp., Salmonella spp., Escherichia Coli etc. Estes microrganismos podem eventualmente se espalhar, levando à contaminação das demais áreas da instalação. Por outro lado, um ralo sujo representa um risco potencial, onde mesmo um pequeno bloqueio pode causar vazamentos ou grandes interrupções nas operações, gerando grandes perdas para a indústria. Limpeza e desinfeção do ralo: Conforme mencionado anteriormente, a limpeza dos ralos é de vital importância nas indústrias alimentícias. Primeiramente é importante limpar equipamentos, instalações e o chão, finalmente, deve ser feita minuciosamente a limpeza do ralo. O processo de limpeza pode variar dependendo do sistema. É importante saber que é necessário evitar ter qualquer produção de alimentos em operação quando a limpeza estiver sendo feita. Para limpar ralos industriais as seguintes etapas devem ser realizadas: • Remoção grosseira de sujeira: compreende na retirada da tampa ou grelha e na remoção da sujeira, sendo necessário a extração de resíduos grandes do canal de drenagem, para evitar bloqueios, desta forma a água pode fluir sem problemas pelo sistema. É importante certificar-se de que todos os resíduos sólidos sejam removidos completamente antes da limpeza. • Desmontagem das partes móveis: desmontar as partes moveis e proceder a limpeza delas. • Pré-enxágue: realizar um primeiro enxague que vai ajudar a melhorar a limpeza na próxima etapa. • Aplicação do detergente: normalmente é utilizado um detergente alcalino para remover qualquer tipo de resíduo restante; esfregar o ralo e as grelhas até ficarem visualmente limpos. Porém, indicamos o uso de produto enzimático no ralo e tubulação, para remoção das incrustações aderidas. Principalmente nas tubulações, devido à dificuldade do acesso para limpeza mecânica. • Enxague: realizar um enxague final antes de aplicar uma solução desinfetante. • Aplicação do desinfetante: escolher o produto ideal para a higienização garante que o ralo do piso seja tão limpo e higiênico quanto o restante das instalações. É recomendável que o produto contenha desinfetantes com efeito residual, como quaternários. Optar por produtos inovadores que utilizam tecnologias avançadas e que foram especialmente desenhados para higienização de ralos, possui várias vantagens como garantir o combate aos microrganismos, eliminar odores e inclusive remover o acúmulo de resíduos gordurosos. Atualmente, existe no mercado uma barra gelatinosa com desinfetante, que é colocada dentro do ralo após a higienização. Essa barra tem a função de manter o ralo sem contaminação vinda do sistema de drenagem. Outras informações importantes: A limpeza e manutenção devem ser feitas periodicamente nos ralos e encanamentos. É importante saber que não devem ser utilizadas mangueiras de spray ou mangueiras de alta pressão para lavar o chão e ralos, já que partículas e microrganismos podem se espalhar pela área de produção de alimentos por meio das gotículas de água. As ferramentas e equipamentos que foram utilizados para a limpeza do ralo devem ser limpas também para reduzir a probabilidade de contaminação adicional. Por outro lado, o desenho correto do sistema de drenagem para linhas de processamento de alimentos faz toda a diferença em seus procedimentos de limpeza. A inclinação da linha de drenagem e um fator clave que pode aumentar as chances de acúmulo de resíduos. O projeto não deve permitir o acúmulo de água residual e produtos, e devem ser de fácil remoção e/ou montagem, as estruturas em aço inoxidável são as mais recomendas. Referências Bibliográficas: • The importance of clean drainage in food manufacturing facilities. Food Safe Drains. • Ultimate Guide to Sanitary Drains for Food Manufacturers. Drains are often home to some of the nastiest bacteria imaginable. 2022. • Como limpar ralos industriais corretamente? Food Safety Brazil. 2017. • Guide to Hygienic Drainage Performance. The importance of hygienic drainage in food and drink manufacturing. Whitepaper. 2020. • P Madsberg. Self-cleaning and flow in drainage systems Ehedg Year Book. 2018.

01/12/2022
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SALMONELLA: UMA GUERRA REAL NA INDÚSTRIA DE ALIMENTOS

Características da Salmonella spp.: A Salmonella é um gênero da família Enterobacteriaceae, caracterizado por bactérias Gramnegativas, anaeróbias facultativas, não formadoras de esporos e em formato de bastonetes curtos (1 a 2 µm). A temperatura ótima de crescimento é de aproximadamente 38°C e a temperatura mínima para o crescimento é de cerca de 5°C. Pode ser destruída exposta a temperatura de 60°C por 15 a 20 minutos. É conhecida por sobreviver por longos períodos em produtos alimentícios de baixa umidade e em amplas faixas de pH. Alimentos frequentemente associados a infecções por Salmonella spp.: A Salmonela spp. pode contaminar uma grande variedade de alimentos, incluindo carne de frango, peru, carne bovina, carne de porco, ovos, frutas, legumes, brotos, atum cru, cogumelos, cebolas, pêssego, mamão, outros vegetais e até alimentos processados como manteigas de nozes e amendoim, tortas congeladas e derivados de frango. Sendo a carne de aves e seus derivados um dos principais alimentos envolvidos em surtos de infecções alimentares por Salmonella spp. Especiarias e ervas também podem ser contaminadas já que a Salmonella spp. é capaz de sobreviver a baixas condições de umidade. Isso significa que esses organismos podem viajar e quebrar barreiras geográficas mediante o comercio mundial de especiarias e ervas. Os alimentos contaminados com Salmonella spp. geralmente têm aparência, gosto e cheiro normais, por isso é importante saber como prevenir a contaminação. Possíveis origens de contaminação: A bactéria se espalha através da água contaminada e do meio ambiente, vive no trato gastrointestinal de animais domésticos e selvagens, sendo a material fecal uma das principais fontes de contaminação. Essas fontes podem acabar entrando em contato com alimentos por causa da higiene ineficiente, sendo os alimentos contaminados a principal via de transmissão da Salmonella spp. Além disso, a bactéria também pode passar diretamente das fezes de uma pessoa ou animal infectado para os saudáveis. Patogenicidade: A presença de Salmonella spp. em alimentos é um problema relevante de saúde pública que não deve ser tolerado, pois uma única célula da bactéria pode iniciar a doença em indivíduos com sistema imunológico enfraquecido. É uma das principais zoonoses em todo o mundo e é responsável por mais hospitalizações e mortes do que qualquer outro patógeno de origem alimentar já que a maioria dos sorotipos desse gênero são patogênicos ao homem. A doença é conhecida como Salmonelose e é causada pela bactéria Salmonella não tifoide, afeta humanos e animais. As manifestações clínicas são vastas e depende da variação da patogenicidade, da idade e da resposta imune do hospedeiro, entretanto as desordens gastrintestinais são as manifestações mais comuns. Enquanto aproximadamente 2.500 sorotipos foram identificados, a maioria das infecções humanas é causada por dois sorotipos de Salmonella: S. Typhimurium e S. Enteritidis. Prejuízos causados por surtos de Salmonella spp. nas indústrias: Os surtos de Salmonella spp. em industrias causadas por falhas nas Boas Práticas de Fabricação pode trazer graves prejuízos, como perdida de uma quantidade considerável da produção gerando por consequência grandes perdas financeiras. A contaminação microbiológica em alimentos industrializados, também pode afetar as questões legais, já que o descumprimento dos termos legais é considerado infração sanitária, e sujeita a empresa às penalidades que implicam advertência, apreensão, interdição, cancelamento da  autorização de funcionamento, cancelamento do registro do produto, e/ou multa. Medidas de prevenção: Como evitar a propagação de Salmonella spp. nas indústrias? As fontes comuns de contaminação por Salmonella spp. nas indústrias de processamento de alimentos incluem: matéria fecal de animais e humanos; sujeira do solo; ingredientes crus, especialmente aves; embalagens sujas; mãos e roupas dos trabalhadores mal higienizados. A prevenção é a única solução para enfrentar este problema e requer medidas de controle em todas as etapas da cadeia alimentar, desde a produção agrícola, até o processamento e preparação de alimentos tanto em estabelecimentos industriais quanto comerciais e domicílios. Portanto, sendo as indústrias de processamento de alimentos a primeira linha de defesa contra a Salmonella spp. é fundamental conhecer os principais fatores associados à segurança microbiológica dos alimentos: • Procedência das matérias primas: se deve ter conhecimento da procedência de matérias primas e as condições de armazenamento após a colheita, por exemplo, os pós secos são produtos perigosos, uma vez que muitas instalações de pó seco possuem espécies de Salmonella dormentes. É recomendado realizar uma pré-amostragem antes do ingresso desses produtos na planta. • Programas de higiene: a indústria deve ter Programas de Higiene específicos para cada setor a fim de controlar da proliferação de Salmonella spp., os programas devem detalhar as abordagens que a serão utilizadas para manter um ambiente apropriado para o processamento de alimentos. Por sua parte, os supervisores devem verificar regularmente se todos os procedimentos estão sendo seguidos. • Barreiras sanitárias: para minimizar a possibilidade do ingresso de microrganismos dentro da indústria é recomendado o uso de barreiras sanitárias. Por exemplo, a existência de pragas como pombos, ratazanas e ratos constituem uma fonte de contaminação por Salmonella spp. para toda indústria de alimento. Mesmo quando as pragas estão fora das instalações, os microrganismos, acarreados por eles, podem ser levados dentro da indústria a traves do ar, calçados e roupa dosfuncionários, rodas de veículos como empilhadeiras, etc. Portanto, torna-se fundamental a função das barreiras sanitárias como tapetes desinfetantes para calçados e rodas, banhos de aspersão e a manutenção das condições de higiene dos filtros de ar. Por outro lado, o uso de uniformes e EPIs constituem uma barreira sanitária essencial para evitar o contato direto entre o funcionário e o alimento. • Desenho das instalações: esse fator também deve ser pensado adequadamente para evitar a contaminação microbiológica em produtos acabados, embalagens, e a contaminação cruzada entre alimentos crus e prontos para consumo. • Funcionários: referente aos funcionários, eles devem ser treinados em procedimentos adequados de higiene com ênfase nos procedimentos de lavagem das mãos e uso de EPIs. É importante realizar um controle e nunca permitir que alguém trabalhe quando sofre de diarreia, febre, vômitos e cólicas abdominais. • Umidade: a umidade é um fator importante a ser considerado já que a Salmonella spp. pode sobreviver com facilidade na presença de uma fonte de água e alguns nutrientes. Uma fábrica seca e limpa é realmente importante para evitar a supervivência dela. Considerando isso é recomendável adotar medidas de higienização a seco, de ser possível, para manter a presença de água ao mínimo. • Sistemas de drenagem: para controlar a contaminação microbiológica é fundamental que os sistemas de drenagem sejam projetados de forma que permitam guiar qualquer residual liquido de forma ordenada, sem que ocorram espirros, e por outro lado, é fundamental manter a higiene das tubulações, canais e ralos mediante o uso de produtos especialmente desenhados para esta área. • Biofilmes: os microrganismos como a Salmonella spp. possuem diferentes maneiras de resistir as condições do ambiente, uma delas é a formação do biofilme que são estruturas muito resistentes, por isso é recomendado o uso de produtos específicos que quebram a matriz do biofilme expondo as bactérias para ser eliminadas, finalmente é útil a utilização de produtos para detectar que esses biofilmes foram eliminados. Referências bibliográficas: • Cristina Paiva de Sousa. The impact of food manufacturing practices on food borne diseases. Food Science and Technology. Braz. arch. biol. technol. 51. Aug 2008. https://doi.org/10.1590/S1516-89132008000400020 • Olugbenga Ehuwa, Amit K. Jaiswal, Swarna Jaiswal. Salmonella, Food Safety and Food Handling Practices. Foods 2021, 10(5), 907; https://doi.org/10.3390/foods10050907 • Salmonella and Food. CDC-Food Safety Home Page. Last reviewed: May 27, 2022. • Salmonella control in food manufacturing. Safety Skills. https://safetyskills.com/salmonella-food-manufacturing/ • Multi-country outbreak of Salmonella Typhimurium linked to chocolate products – Europe and the United States of America - World Health Organization-26 April 2022. https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-DON369 • Rapid outbreak assessment: Multi-country Salmonella outbreak linked to chocolate products. EFSA- European Food Safety Authority. Published:12 April 2022. • Aline Santana. Cinco segredos para evitar que Salmonella vá parar no produto. Food Safety Brazil. 2017. • A.L.S.P. Cardoso; E.N.C. Tessari. Salmonela na segurança dos alimentos. Salmonela na segurança dos alimentos. Divulgação técnica. Instituto Biológico, Centro Avançado de Pesquisa Tecnológica do Agronegócio Avícola, SP, Brasil. 2008 http://www.biologico.sp.gov.br/uploads/docs/bio/v70_1/cardoso.pdf • Neide Kazue Sakugawa ShinoharaViviane Bezerra de BarrosStella Maris Castro JiménezErilane de Castro Lima MachadoRosa Amália Bombeiro DutraJosé Luiz de Lima Filho. Salmonella spp., importante agente patogênico veiculado em alimentos. Ciênc. saúde coletiva 2008. https://doi.org/10.1590/S1413-81232008000500031 • Salmonella. Escola Superior de Biotecnologia Universidade Católica. Blog da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica. República Portuguesa. • Barreiras Sanitárias - Bio-exclusão e Bio-contenção. Universidade Federal de Alagoas. https://ufal.br/ufal/pesquisa-e-inovacao/bioterios-setoriais/biosseguranca/barreirassanitarias • G. Ramos; G. Silva; W. Ribeiro; J. Nascimento. Salmonella spp. em produtos lácteos no Brasil e seu impacto na saúde do consumidor.

19/10/2022
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Higienização de sistemas de drenagem e bandejas de evaporadores. Um problema oculto.

Higienização de sistemas de drenagem e bandejas de evaporadores. Um problema oculto. A higienização dos sistemas de drenagem e bandejas de evaporadores industriais é um processo crítico em uma indústria alimentícia. São superfícies sem contato direto com alimentos, mas o acumulo de água e resíduos, os transformam em uma fonte potencial de contaminação onde proliferam micro-organismos. Para evitar que estes sistemas se tornem propícios para o crescimento de microrganismos prejudiciais é preciso usar produtos com tecnologias avançadas que atendem os desafios únicos associados ao controle microbiológico.   Sistema de drenagem: O sistema de drenagem que inclui grades e canais, ralos, cestas de filtro e fossas, é o receptor da sujidade gerada durante o processo de produção, também recolhe as soluções detergentes e desinfetantes usadas durante o processo de higienização e possíveis derrames acidentais do produto alimentar. Um sistema de drenagem industrial deve cumprir sua função ao deixar o ambiente livre de líquidos estagnados, o que minimiza a contaminação nos processos de manipulação dos alimentos. Os ralos são uma das maiores fontes de contaminação na indústria de alimentos. Eles atuam como um concentrador da biodiversidade que existe em uma fábrica e pode gerar um ambiente propicio para o crescimento de micro-organismos patógenos como Salmonella spp., Listeria spp. e outros em indústrias de carne, lácteas e alimentícias em geral. A presença de micro-organismos patogênicos em drenos da indústria alimentícia revela a importância do processo de limpeza e desinfecção dos sistemas de drenagem, para controlar a proliferação destes micro-organismos evitando o desenvolvimento de biofilmes. Para uma higienização adequada é importante remover os resíduos sólidos do piso nas áreas de processamento de alimentos. Estes devem ser retirados do chão manualmente, sempre que possível, e colocados num contentor de resíduos. No entanto, sempre haverá alguns detritos sólidos deixados que devem ser descarregados no sistema de drenagem, cujo projeto construtivo deve permitir que todos os detritos sólidos sejam removidos manualmente em um único ponto: a cesta de filtro. Depois da remoção dos resíduos, é recomendável o uso de produtos para controle microbiológico no sistema de drenagem. Existe um produto especialmente desenvolvido para realizar esta tarefa. O produto é um bloco desinfetante que deve ser colocado no ralo onde o mesmo sofre hidratação pela água de repouso do ralo ou pelo fluxo da água do sistema de drenagem, mudando para a forma de gel permitindo liberar facilmente o ativo e realizar uma eficiente desinfeção. Por outro lado, um desenho higiênico de ralos, canais e sistemas de drenagem é um aspecto fundamental do qual depende o resultado obtido após os processos de limpeza e desinfecção. O tipo de dreno, sifão instalado, o cesto para coleta de sólidos, os tipos de grades e canais instalados, são essenciais para garantir o fácil acesso das partículas de resíduos ao ralo e evitar possíveis barreiras que dificultem o pre-exague e enxágue adequados. Estas estruturas devem seguir normas sanitárias com projeto que não permita o acúmulo de água residual de produtos e apresente uma estrutura totalmente em aço inoxidável, que seja de fácil remoção e/ou montagem. O desenho e higienização adequados nos sistemas de drenagem reduz a atividade de bactérias e também a possibilidade de que sejam transportadas de um ambiente para outro.   Bandejas de evaporadores:   O evaporador de ar é um equipamento destinado a atuação em câmaras frigoríficas, armazéns para a conservação de produtos frescos e congelados, ar acondicionado, climatização de grandes salas de processamento etc.   Durante o funcionamento do evaporador o ar do ambiente é succionado para dentro do ar condicionado, primeiro é filtrado, logo passa pela serpentina do evaporador onde acontece a troca de calor. Esse ar do ambiente entra a uma temperatura e é jogado de volta ao ambiente a uma temperatura inferior por meio de ventiladores.   Quando o ar é resfriado e perde a capacidade de retenção de umidade, então água é formada no processo, a água de condensação, ou simplesmente condensado. A bandeja de condensado retem essa água para que não vaze diretamente no ambiente. Ela tem uma inclinação para que a própria gravidade se encarregue de mandar a água de condensação para uma tubulação de drenagem.   O problema surge quando fica água acumulada na bandeja. Podem passar dias até que os resquícios de água sejam eliminados ou evaporados totalmente. À medida que esses resquícios de água da bandeja vão evaporando (da mesma maneira que água derramada no chão evapora), umidade é criada internamente no ar condicionado. Ela se espalha pelos filtros, pela serpentina, pela turbina e pelo restante dele.   A água acumulada na bandeja retem toda a sujeira que não foi filtrada, e podem conter impurezas que circularam pelo ar do ambiente, bactérias, vírus, fungos entre outros contaminantes.   Com o passar do tempo, os resquícios de água vão se transformando em biofilme. Todo ar do ambiente que passa pelo ar condicionado com biofilme na bandeja, pode carregar parte dessa contaminação junto com ela ao retornar para o ambiente, tornando-se sumamente perigoso.   O desafio mais importante que o sistema de refrigeração enfrenta é a formação de biofilme, que pode se transformar em depósitos visíveis de bioincrustação em questão de dias. Os biofilmes tendem a se formar em locais de difícil acesso, e quando as condições se tornam desfavoráveis, eles se propagam liberando bactérias na água a granel para habitar outras superfícies. Múltiplos mecanismos de sobrevivência tornam os biofilmes tenazes e difíceis de controlar.   Os biofilmes além de transmitir enfermidades são isolantes, afetam a transferência de calor e aumentam significativamente os custos operacionais e de produção. As bactérias do biofilme podem danificar as tubulações e equipamentos de sistemas de refrigeração, provocando corrosão microbiológica. Este tipo de corrosão é responsável por até 50% dos custos totais da prevenção e tratamento da corrosão para a economia mundial.   A higienização de filtros, de bandejas de evaporador, de superfície da serpentina do condensador e evaporador, deve ser realizada periodicamente (depende da atividade e uso) utilizando produtos adequados.   Um produto especialmente indicado para bandejas de evaporadores, é aquele mencionado anteriormente para desinfecção de ralos, onde o princípio ativo está concentrado em um bloco que é transformado em gel em contato com água. Ele controla o crescimento de micro-organismos prejudiciais e evita a formação de biofilmes, outorgando segurança as pessoas e produtos alimentícios que estão em contato com o ar liberado pelo evaporador.   Referências bibliográficas: Como limpar ralos industriais corretamente? 2017. Disponível em: https://foodsafetybrazil.org/como-limpar-ralos-industriais-corretamente/ A. da Silva. Manual de Boas Práticas de Fabricação para Indústria Fracionadora de Alimentos. Revista de Ciência & Tecnologia, v.16, n. 32, p. 39. https://www.metodista.br/revistas/revistas-unimep/index.php/cienciatecnologia/article/viewFile/778/315 Lo que puede hacer un buen desagüe por la higiene alimentaria. Disponível em: https://higieneambiental.com/higiene-alimentaria/lo-que-puede-hacer-un-buen-desague-por-la-higiene-alimentaria  

22/06/2022
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Higienização na indústria de alimentos

A palavra "higienização" deriva do grego hygieiné que significa "saúde". A higienização envolve os processos de limpeza e desinfecção, que são complementares. O processo de limpeza consiste na remoção de substâncias ou minerais como terra, poeira, gordura e outras sujidades indesejáveis, a limpeza, se bem executada, pode eliminar de 80 a 90% das partículas de sujidades.  O processo de desinfecção consiste na eliminação de micro-organismos para prevenir o crescimento destes durante o período de produção, este processo é alcançado mediante a aplicação de agentes ou processos químicos ou físicos a uma superfície limpa (MANUAL DE HIGIENIZAÇÃO DA INDÚSTRIA ALIMENTAR, s/d). A higienização na indústria de alimentos se insere junto as Boas Práticas de Fabricação (BPF) e tem como objetivo principal a obtenção de produtos seguros para a população humana (Andrade, 2008). As atividades de higiene devem abranger pessoal, instalações, equipamentos, utensílios, materiais de produção, recipientes, produtos para limpeza e desinfecção e qualquer outro aspecto que possa constituir fonte de contaminação.   Etapas da Higienização: Limpeza da sujidade macroscópica: o processo de limpeza inicia-se com uma primeira remoção da sujidade macroscópica que pode ser a seco ou incluindo um processo de enxaguamento. Nesta etapa são removidas partículas de sujidade e alguns microrganismos, que são arrastados com os outros resíduos. Limpeza com detergente: numa segunda etapa, aplica-se o detergente, o qual vai atuar sobre as partículas de sujidade que se encontram aderidas, diminuindo a sua ligação às superfícies permitindo a sua remoção. Enxágue: numa terceira etapa dá-se o enxaguamento para a remoção completa das partículas, entretanto libertadas, do detergente aplicado e uma vez mais de alguns microrganismos. Desinfecção: nesta etapa aplica-se o desinfetante que atua na eliminação dos microrganismos. Enxágue: quinta etapa, indispensável para alguns tipos de desinfetantes, mas não todos os desinfetantes precisam serem enxaguados. Secagem: tem como finalidade a remoção da água em excesso, de modo a evitar que a humidade residual favoreça o crescimento de microrganismos. Responsabilidade dos colaboradores na higiene da indústria: Os colaboradores tem um papel fundamental na higiene da indústria é por isso que todos eles devem ser treinados para realizar o processo de higienização, usar o equipamento de proteção corretamente e para manter a higiene pessoal. A higienização traz diversos riscos como, pisos molhados ou escorregadios, produtos químicos, trabalho em altura, projeção de partículas pequenas contra os olhos, ou mesmo o simples fato de retirar um lixo, pode causar acidentes. A empresa deve assegurar que os colaboradores utilizem paramentação limpa e adequada a cada área e atividade para evitar acidentes. A paramentação é o nome dado ao processo que corresponde à troca de vestes rotineiras (roupas pessoais) por vestimentas adequadas, para a área industrial, como uniforme e EPIs. Os equipamentos de proteção individual (EPIs) é todo dispositivo de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado a proteção contra riscos capazes de ameaçar a sua segurança e a sua saúde. Além disso a utilização destes acessórios visa evitar a contaminação dos produtos através da saliva, cabelos ou de contato com resíduos trazidos da rua pelos colaboradores ou visitantes. Os EPIs usados numa indústria incluem uniforme, avental impermeável, calçado impermeável, máscaras filtrantes, óculos, luvas, protetor auricular, em caso de limpeza em altura: cinto de segurança, capacete etc. Estes acessórios deverão estar disponíveis nos pontos de acesso as áreas produtivas e também em importantes áreas de circulação. Por outro lado, os colaboradores devem manter perfeita higiene pessoal: banho diário, cabelos limpos, penteados e presos e unhas limpas e aparadas. Lavar as mãos com água e sabão após o uso do sanitário, antes da alimentação, ao iniciar e terminar as atividades.   Ambientes e instalações: O projeto das áreas industriais deve possibilitar a limpeza e a manutenção adequada para evitar a contaminação e acumulo de partículas e micro-organismos. Os tetos, paredes, janelas, balcões, equipamentos das instalações e arredores dos edifícios devem ser mantidos em bom estado de conservação e higiene. A limpeza e desinfecção das áreas deve ser realizada conforme procedimentos adequados descritos no programa de higienização de cada indústria, também devem ser mantidos os registros correspondentes. Tipos de limpeza: Limpeza manual: é realizada manualmente pelo ser humano utilizando equipamentos e acessórios de limpeza como escovas, rodos, vassouras, mecanismos abrasivos, mangueiras, etc., além de água e detergente. Limpeza a seco: utilizada na remoção, sem água, de material residual aderido à parede interna dos equipamentos, superfícies etc. mediante o uso de ferramentas como raspadores. É feita antes do início do processo de lavagem, o que contribui para a diminuição do consumo de água e agentes de limpeza. Limpeza por imersão: neste tipo de limpeza os utensílios, partes desmontáveis de equipamentos e tubulações são imersos em solução detergente, apropriada para o tipo de sujidade que se quer remover, durante o tempo recomendado. A imersão pode ser realizada com ou sem agitação. Após este tempo as superfícies serão escovadas e enxaguadas. Limpeza mecanizada: o método de limpeza mecanizada pode utilizar como auxilio as maquinas de media ou alta pressão para limpeza de equipamentos, superfícies, etc. Para aplicação do método é sempre necessário colaboradores treinados. Uma das desvantagens do método é geralmente o alto consumo de água. Limpeza automatizada: a limpeza automatizada de equipamentos e linhas produtivas mais conhecida pela sigla CIP (cleaning in place), se refere à limpeza, executada sem o desmonte da linha de produção. Possui a vantagem de diminuir o uso de mão de obra, consumo de água, de soluções de limpeza e energia. Os sistemas são montados nos próprios equipamentos produtivos e consistem em tubulações para água e detergentes, reservatórios de solução de limpeza e bicos spray.  Através do sistema CIP os produtos mais solúveis e de baixa aderência podem ser removidos com água quente. Já os mais viscosos, que possuem a tendência de aderir nos equipamentos, exigem a utilização de agentes químicos adequados e indução de efeitos mecânicos para a limpeza. Os sistemas COP (Clean Out Place) são usados para limpar pequenos equipamentos que não seriam alcançados por um sistema CIP, estes incluem: acessórios, guarnições, braçadeiras, utensílios de manuseio de produtos, hélices de tanque, rotores de bombas, impulsores, carcaças, mangueiras etc.  Os sistemas COP economizam tempo, produtos químicos e uso da água, minimizam a exposição do operador a altas temperaturas e fortes concentrações químicas. Por outro lado, dependem muito de trabalhos manuais devido à sua desmontagem, montagem e abastecimento e descarte dos químicos de limpeza. Desinfecção: A escolha de o desinfetante adequado depende das características das superfícies, tempo e temperatura de contato, concentração, tipo de resíduo, pH, propriedades físico-químicas da água, substancias inativadoras, o tipo e a concentração de micro-organismos contaminantes (Andrade, 2008). Os desinfetantes devem apresentar toxicidade e corrosividade baixas, serem estáveis nas condições de uso, de amplo espectro de ação antimicrobiana, ação rápida, e que sejam aprovados pelos órgãos competentes como o Ministério da Saúde. Os mecanismos de ação dos produtos desinfetantes incluem: impedimento do metabolismo celular pelo bloqueio da membrana, coagulação das proteínas celulares, dissolução de substancias celulares, lesão irreversível e alteração da pressão osmótica (Spreer, 1991). Importância da água no processo de higienização: O fornecimento de água de boa qualidade é essencial para o funcionamento da indústria de alimentos, sendo usada não só na operação de limpeza e desinfecção, mas também no processamento, transferência de calor, produção de vapor, como solvente dos agentes de limpeza e desinfecção e também para lavagens e enxague. A qualidade química e microbiológica da água é, por conseguinte, de importância decisiva para a eficiência dos processos de limpeza. Em princípio, a água usada na limpeza deve ser potável.   Referências bibliográficas: Silva, P. R. Santos Dutra, I. M. Cadima. Higiene na indústria de alimentos. E-tec Brasil. Universidade Federal Rural de Pernambuco. 2010. Ozga Immig. Higienização na Industria de Alimentos. Universidade Federal de Río Grande do Sul. Porto Alegre. 2013. Manual De Higienização Indústria Alimentar. Disponível em: https://docplayer.com.br/909254-Manual-de-higienizacao-industria-alimentar.html Paramentação de Uniformes em Empresas. 2016. Disponível em: https://foodsafetybrazil.org/paramentacao-de-uniformes-em-empresas/

03/02/2022
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Como fazer a descontaminação do ar a seco na indústria?

A importância da qualidade do ar em uma indústria de alimentos: A indústria de alimentos é um dos setores mais exigentes em relação a qualidade do ar. O ar é o um veículo muito propício para o arraste de partículas físicas, químicas e biológicas por isso manter a qualidade do mesmo é importante para garantir a segurança da matéria prima, produtos, embalagens, e a saúde dos consumidores e funcionários da empresa. Na indústria de alimentos são requisitos essenciais o controle de partículas prejudiciais, de micro-organismos como bactérias, fungos, esporos, vírus, e da temperatura e umidade do ambiente. Um ambiente com contaminação do ar gera problemas de qualidade e segurança nos produtos. Um alto grau de umidade pode condensar nas superfícies e promover o aparecimento de fungos, proliferação de bactérias, deterioração das instalações, corrosão do sistema de tubulação e equipamentos, danos aos controles pneumáticos levando a paralisações, ferrugem e aumento do desgaste do equipamento de produção. Além disso, muitos alimentos são altamente higroscópicos, absorvem a umidade do ambiente, o que prejudica suas características e diminui a validade do mesmo. A qualidade do ar deve manter-se estável, em todos os setores da indústria, produção, envasado, armazenamento. Métodos para desinfeção do ar a seco: Como já mencionamos, a umidade é o grande inimigo a se vencer nas indústrias alimentícias. Para descontaminar o ar industrial, controlando a umidade do ambiente são necessários métodos de higienização especiais, é nesses casos que a descontaminação a seco deve ser aplicada. A descontaminação do ar a seco não utiliza água ou produtos líquidos e pode ser feito empregando distintos métodos: Ventilação: É importante assegurar uma ventilação adequada com fluxos de ar nas diferentes áreas da indústria. A ventilação é um método de descontaminação fundamental para regular fatores como temperatura e umidade dos ambientes, movimentando partículas suspensas no ar evitando o acumulo delas. Uma circulação de ar apropriada pode eliminar a maioria dos problemas de qualidade do ar em uma indústria. Filtro de ar: Por médio de um processo de filtragem do ar, as partículas e micro-organismos são capturados e retidos no filtro, a eficiência desse método depende do tipo de filtro escolhido para o qual é necessária uma análise previa dos tipos e tamanhos de contaminantes presentes no ambiente. A pureza do ar necessária em cada indústria varia, portanto, é importante adquirir o sistema de filtro industrial ideal para cada situação. Fumígeno: Um fumígeno é um desinfetante a base de fumaça, utilizado no controle microbiológico. A fumaça atua como meio de transporte do princípio ativo, e permite sua aplicação em superfícies, em locais altos e de difícil acesso, além disso ajuda a purificar e desinfetar o ambiente em geral, sendo ideal para áreas a serem desinfetadas onde o uso de água não é recomendado ou a umidade pode ser um problema. É um método altamente eficaz sobretudo pelo fato de não produzir umidade ao efetuar a sua aplicação. A aplicação é muito pratica, pois bastará apenas acionar ou acender o pavio deste produto e deixá-lo agir no espaço onde se encontra. Equipamentos de radiação ultravioleta: Os equipamentos de radiação ultravioleta são utilizados para purificação do ar. A radiação ultravioleta (UV) altera o DNA dos micro-organismos, bloqueia a reprodução celular e ocasiona a morte dos mesmos. Estes equipamentos funcionam a través de um ventilador embutido onde o ar é introduzido para dentro do duto e forçado a passar através das lâmpadas UV, eliminando os micro-organismos prejudiciais presentes no ambiente. Este é um método inofensivo para as personas presentes no local, e não afeta a umidade do ambiente. Descontaminação de sistemas de ar acondicionado: A má qualidade do ar nos locais fechados, se deve principalmente à má higienização dos aparelhos de ar condicionado e a falta de controle periódico. Estes sistemas de ar acondicionado devem ser mantidos livres de poluentes, para evitar que estes contaminem o ar durante seu funcionamento. Além da limpeza dos filtros é preciso estar sempre atento à limpeza da bandeja de condensado, existem produtos que formam gel que são aplicados nessas bandejas para controlar o desenvolvimento de microrganismos prejudiciais, e evitar a formação de incrustações. Ozonização: O ozônio é um gás oxidante de alto poder para combater micro-organismos e degradar causadores de odores. O ozonizador de ar é um aparelho que libera uma grande quantidade de descargas elétricas no ambiente, e como resultado quebra as moléculas de oxigênio, dividindo-as e produzindo moléculas de gás ozônio que atuam como antimicrobianos. Como garantir a qualidade do ar: Para garantir a qualidade adequada do ar os aspectos a avaliar são: tipos de contaminantes, tamanho, e quantidade, que variam significativamente dependendo do tipo de indústria, temperatura e umidade. Também deve ser levado em consideração as possíveis fontes de contaminação como fluxo de produtos, matérias primas e resíduos, fluxo de pessoas em todas as fases do processo produtivo, e o ambiente externo da indústria. Avaliar quais são as possíveis fontes de contaminação é fundamental para inicialmente focar os esforços na sua redução. Portanto analisar esses aspectos permitirá escolher o equipamento ou produto de descontaminação correto para manter a pureza do ar indicada para cada ambiente industrial. Também é necessário estabelecer programas adequados de limpeza e desinfeção, que incluam higienização periódica do ambiente, atingindo pontos de difícil acesso, que não são considerados nos procedimentos de higiene diária, e monitoramento constante que incluam atividades de manutenção preventiva para filtros, registros de limpeza, substituição de peças, etc. Os programas de limpeza devem incluir a realização de testes microbiológicos para validação dos métodos de higienização. Estes testes podem ser realizados por meio da técnica de sedimentação do ar em placas de Petri contendo meio de cultura específico para o tipo de microrganismo que se deseja verificar, e deve ser realizado em pontos específicos da indústria. Geralmente os microrganismos avaliados são os mesófilos aeróbios, fungos e leveduras. Existem, também, equipamentos que fazem a sucção do ar para uma placa de Petri com o meio de cultura. Por outro lado, é fundamental mencionar que a indústria deve ter sistemas de ventilação que permitam o fluxo de ar positivo nos diferentes setores que ajude a manter a qualidade do ar. Referências bibliográficas: Como avaliar a qualidade do ar ambiente em indústrias de alimentos. Food Safety Brazil. 2017. Qualidade do Ar em Ambientes de Produção de Alimentos. E-Food.2020. Trotta Consulting, S.L – Manual de Manipuladores de Alimentos para Industrias, 5ª Edición. 2005. Boas práticas de armazenagem na indústria de alimentos. Embrapa. 2000

07/01/2022
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Contaminação Microbiológica de produtos lácteos

As condições mais relevantes do meio para a reprodução dos microrganismos são a disponibilidade de nutrientes e umidade, razão pela qual o leite é um meio ideal (MADRID, 1996). O leite está conformado de 87,3% de teor de água, e 12,7% de sólidos totais; carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas (A, D, B1, B2, B12, outras) e sais minerais (cálcio, sódio, potássio e magnésio), pH 6.5-6.7 ligeiramente ácido (TRONCO 2010), estas características favorecem o crescimento de uma flora microbiana diversa. Os derivados lácteos têm propriedades diferentes do leite, alguns nutrientes se concentram e outros são removidos, a atividade aquosa, pH e potencial redox, entre outros parâmetros, são modificados, o que reduz o crescimento de alguns micro-organismos. Principais fontes de contaminação microbiológica de produtos lácteos: Processo de ordenha: Nessa etapa é importante a higienização do animal, o úbere do mesmo é uma fonte importante de micro-organismos devido ao contato com o solo, estrume etc. além disso, é fundamental a higienização dos utensílios, equipamentos e funcionários. O leite cru extraído deve ser refrigerado, porém ainda assim pode apresentar carga microbiana. Aqui aparecem bactérias como Staphilococcus aureus, Streptococcus spp., Salmonella spp., Brucellas spp., Mycobacterium spp. (Matyos, 1969); Enterococcus spp., Lactococcus spp., Leuconostoc spp., Lactobacillus spp., Propionobacterium spp., Micrococcus spp., Proteus spp., Pseudomonas spp., Bacillus spp. e Listeria spp., assim como alguns representantes do grupo dos coliformes (JAY, 2005). A maioria deles são eliminados mediante a pasteurização, exceto os mais resistentes e os esporos produzidos por algumas bactérias como Clostridium spp. e Bacillus spp. Devemos considerar também que a pasteurização ineficiente favorece o desenvolvimento de micro-organismos prejudiciais (RABELO et al., 2001; VALLE 1995). Processo produtivo: Os equipamentos, embalagem, condições de transporte, armazenamento, manipuladores, no processo de fabricação de lácteos são fontes de contaminação microbiológica na indústria láctea. A falta de higiene durante estas etapas é evidenciada pela aparição de família da Enterobacteriaceae: Edwardsiella spp., Salmonella spp., Shigella spp., Serratia spp., Proteus spp; e Yersinia spp., Escherichia spp., Citrobacter spp., Klebsiella spp. e Enterobacter spp., os quatro últimos são coliformes que indicam ocorrência de contaminação de origem fecal e falta de higiene do manipulador. Condição do ar na indústria: Vários micro-organismos resistentes podem permanecer no ar e contaminar os alimentos. Os microrganismos Gram negativos morrem rapidamente, enquanto os microrganismos Gram positivos e esporulados podem persistir por muito tempo no ar. Os indicadores de contaminação do ar são: Micrococcus spp., Streptomyces spp. fungos e esporos de fungos como Penicillium spp. e Aspergillus spp. Leveduras são raramente encontradas em suspensões de ar (AMIOT, 1991). Água de limpeza: A água utilizada na limpeza dos equipamentos, utensílios e instalações pode ser uma importante fonte de microrganismos psicrotróficos como Pseudomonas e de bactérias coliformes (HAYES, 1993). Resíduos de produtos lácteos: Os resíduos de lácteos numa indústria são uma ótima fonte para a proliferação de micro-organismos, especialmente se as condições de temperatura e umidade do ambiente forem ideais para o seu desenvolvimento. Solo: É a principal fonte de microrganismos termodúricos e termofílicos. O leite nunca entra em contato com o solo, mas sim os animais, os utensílios e o pessoal, de modo que é através deles os microrganismos telúricos como Clostridium spp. podem contaminar o leite (ICMSF, 200).   Micro-organismos benéficos de produtos lácteos: Existem alguns microrganismos como bactérias láticas, que atuam beneficamente sobre os produtos lácteos, conferem aroma e sabor característicos dos mesmos (ORDOÑEZ, 2005). Também existem fungos benéficos usados no processo de elaboração de derivados lácteos como queijos.   Micro-organismos prejudiciais de produtos lácteos: Podemos classificar aos micro-organismos prejudiciais como:   Patogênicos, são aquelas capazes de causar danos à saúde do consumidor: Listeria monocytogenes; Escherichia coli patogênica; Yersinia enterocolitica; Salmonella spp; Bacillus cereus; Staphylococcus aureus; Clostridium botulinum; Bacillus spp.; Deteriorantes, são responsáveis por provocar alterações organoléticas nos alimentos, não são considerados patogênicos: Pseudomonas spp.; fungos; leveduras; Micrococcus spp.; Bacillus subtilis. Indicadores, evidenciam a falta de higiene dos equipamentos, manipulador e deterioração potencial do alimento. Coliformes, fungos, leveduras. Os alimentos alterados por deteriorantes apresentam manifestações pelo seu aspecto ou odor e, geralmente, não apresentam perigos sérios à saúde, apesar de serem considerados impróprios para consumo. Os alimentos contaminados por patógenos não apresentam, normalmente, manifestações perceptíveis, o que torna necessária a realização de controles correspondentes, a fim de assegurar a qualidade microbiológica do produto. Entre os micro-organismos prejudiciais encontramos: Micro-organismos termodúricos: Resistem à pasteurização, estão presentes no solo, forragens, silagem, esterco, equipamentos (REVILLA, 1985). Tem importância em produtos lácteos como leite pasteurizado, queijos, leite evaporado, leite achocolatado etc. Estes micro-organismos pertencem aos gêneros: Mycobacterium spp., Micrococcus spp., Enterococcus spp., Streptococcus spp., Arthrobacter spp., Lactobacillus spp., e bactérias formadoras de esporos pertencentes aos géneros Bacillus spp., Paenibacillus spp. y Clostridium spp. Conferem características de ranço aos produtos. Clostridium botulinum produz toxinas patogênicas. O Bacillus subtilis produz viscosidade e coagulação do leite cru ou pasteurizado (JAY, 2005).  Bacillus cereus pode causar defeitos sensoriais e diminuir a vida de prateleira dos produtos lácteos. Micro-organismos psicrotróficos: São capazes de proliferar em temperatura de refrigeração. Podem contaminar leite, creme, queijo, manteiga, leite achocolatado, ricota, iogurte, sorvete. São Pseudomonas spp., Aeromonas spp., Serratia spp., Alcaligenes spp., Bacillus spp., Clostridium spp., Streptococcus spp. e Lactobacillus spp., Listeria monocytogenes (SORHAUG & STEPANIAK,1997). Os psicrotróficos produzem enzimas proteases e lipases que deterioram os produtos lácteos: Pseudomona spp. produz enzimas que resistem 80°C (MADRID 1996), causando alterações em produtos pasteurizados, conferem, cor azul no leite e creme, odor e sabor ranço nos produtos. Serratia marcescens, Micrococcus roseus conferem cor rosa ou vermelha ao leite e derivados. Bacillus cereus pode causar intoxicações (PENG et al., 2001). Enterobacteriaceae: A família compreende vários gêneros já mencionados incluindo coliformes, são bacilos Gram negativos, anaeróbios facultativos e sensíveis à alta temperatura, sendo destruídos na pasteurização do leite, se multiplicam fora e dentro dos intestinos de animais e humanos. Sua presença indica falta de higiene nas instalações ou manipulador. Podem contaminar todos os produtos lácteos. São os mais abundantes na temperatura de 25 a 30°C, por isso é imprescindível a refrigeração à 4°C para inibir a multiplicação dos microrganismos mesófilos. Fungos:  São transportados pelo ar, são aeróbicos, afetam as características organolépticas dos laticínios, diminuem a vida de prateleira, além de que produzem micotoxinas e agentes alergênicos, representando um perigo a saúde do consumidor. O desenvolvimento de fungos filamentosos e favorecido pela umidade do ambiente. Alteram todo tipo de produtos lácteos. Alguns tipos de fungos são osmotolerantes, crescem numa larga amplitude de valores de atividade de água (aW) ou de concentrações de soluto, afetando a produtos como doce de leite, leite condensado etc.  Os gêneros de fungos mais encontrados no ambiente industrial de lacticínios são Penicillium spp., Mucor spp.; Alternaria spp., Rhizopus spp e Aspergillus spp., sua presença indica contaminação no ar e sanitização insatisfatória durante o processamento (Jahn; Garcia; Copetti, 2017). Leveduras:  A presença de leveduras em alimentos, pode ser relacionada à manipulação inadequada, contato com equipamentos, superfícies e utensílios não corretamente sanitizados, ou provenientes da atmosfera ambiental (FURTADO, 1998). Estes microrganismos não sobrevivem aos tratamentos de pasteurização e esterilização, aplicados durante o processamento do leite.  As leveduras podem causar alterações em muitos derivados lácteos, como queijos e cremes, doce de leite, ricota, iogurte, leites concentrados, manteiga, por sua ação sobre a lactose, resultando na produção de CO2 e originando um mau odor pelo processo fermentativo. Algumas espécies são osmotolerantes. A qualidade do leite pode ainda ser afetada pelas enzimas produzidas por esses micro-organismos. Entre eles foram identificados os gêneros Cândidas spp., Cryptococcus spp., Debaryomyces spp., Dekkera spp., Geotrichum spp., Kluyveromyces spp., Pichia spp., Rhodotorula spp., Sporidiobolus spp., e Trichosporon spp. Zygosaccharomyces rouxii; Torulopsis; Kluyverimyces fragilis; Saccharomyces cerevisiae. Vírus:  Ao contrário da maioria dos agentes microbiológicos, os vírus não se multiplicam nos alimentos e o nível de contaminação não aumenta durante o armazenamento. Entretanto, os vírus podem sobreviver por longos períodos nos alimentos e o leite pode veicular esses microrganismos (KOOPMANS; DUIZER, 2004). Poucos gêneros de vírus são capazes de causar alterações nos produtos de origem láctea e estes gêneros são: Poxyvirus, Enterovirus, Flavovirus, vírus da hepatite e bacteriófagos (TRONCO, 2010)   Controle microbiológico em industrias lácteas: Poucas indústrias de alimentos são tão dependentes da qualidade de sua matéria-prima quanto à de laticínios. Não há como melhorar a qualidade de um leite que chega à plataforma da indústria após sofrer algum tipo de deterioração.  A única forma de se obter produtos lácteos seguros é a utilização de matéria prima de boa qualidade além de manter a higiene adequada no ambiente industrial (DÜRR, 2002). O tipo e a carga microbiana inicial, a pasteurização adequada, a temperatura de armazenamento do leite, e as condições de higiene dos equipamentos, do ar e o manipulador são parâmetros que influem na proliferação de micro-organismos prejudiciais. A pasteurização consiste no emprego conveniente do calor, com o fim de destruir totalmente a flora microbiana patogênica sem alteração sensível da constituição física e do equilíbrio do leite, sem prejuízo dos seus complementos bioquímicos, assim como de suas propriedades organolépticas normais (BRASIL, 1952). A cadeia de frio deve ser respeitada desde a concepção, passando pelo armazenamento, até ao transporte do produto, garantindo sua conservação, não permitindo o desenvolvimento de micro-organismos. Referente a higienização é importante evitar, ao longo do processo, o acúmulo de restos de lácteos nas máquinas e instalações, descontaminar os equipamentos, conservar a higiene dos funcionários. Para isso é necessário possuir programas de higienização que incluam realizar limpeza e desinfecções regulares nas instalações e usar produtos convenientes que cheguem até espaços de difícil acesso e que mantenham a umidade e a temperatura em condições adequadas. Também é importante realizar regularmente testes microbiológicos para ter certeza de que a higienização que está sendo realizada é correta.   Referências Bibliográficas: Ministério da Saúde. Resolução no 12/2001 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Regulamento Técnico Sobre Padrões Microbiológicos Para Alimentos. Diário Oficial da União. Brasília (DF); 10 de janeiro de 2001. Autor: Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco e Mariza L. Microbiologia dos Alimentos (2005 - Edição 1), Editora: Atheneu Rio. Holliday SL, Beuchat LR. Viability of Salmonella, Escherichia coli O157:H7, and Listeria monocytogenes in yellow fat spreads as affected by storage temperature. J Food Prot. 66(4):549-58. 2003. Maijala R, Lyytikainen O, Autio T, Aalto T, Haavisto L, Honkanen-Buzalski T. Exposure of Listeria monocytogenes within an epidemic caused by butter in Finland. J. Food Microbiol. 22;70(1-2):97-109. 2001. A. Da Silva; A. De F. Kanesaki Correia. Manual de Boas Práticas de Fabricação para Indústria Fracionadora de Alimentos. Revista de Ciência & Tecnologia. v.16, n. 32, p. 39-57. María M. Echeverría Pérez. Evaluación y Mejoramiento De La Calidad Microbiológica de Yogur Artesanal. Universidad de San Carlos de Guatemala, Facultad de Ciencias Químicas Y Farmacia. 2006.

15/12/2021
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